Interpretando a NBR 14653 – 2: imóveis urbanos

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Resumo do artigo
A NBR 14653-2 é uma norma que serve como um guia para engenheiros e arquitetos na hora de avaliar imóveis urbanos. Essa avaliação é importante para determinar o valor do imóvel urbano, seja para compra, venda, aluguel ou qualquer outro tipo de transação. Mas o que exatamente significa avaliar um imóvel? E como essa norma ajuda nesse processo? Veja a seguir:
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Sumário

Antes de contratar um profissional para avaliar seu imóvel, é fundamental considerar alguns aspectos importantes: primeiro, defina claramente o objetivo da avaliação, seja para venda, aluguel ou outra finalidade. Além disso, estabeleça o prazo desejado para a entrega do laudo e o nível de detalhamento que você espera no relatório.

Essas informações ajudarão a garantir que o processo atenda às suas necessidades específicas.

Conhecendo a região do imóvel

Para avaliar um imóvel de forma adequada, é imprescindível considerar a localização em que ele se encontra. Isso envolve a análise de diversos fatores, como a economia da região, a segurança, e a qualidade dos serviços públicos (água, esgoto, transporte) bem como possíveis problemas históricos que possam impactar seu valor. A norma NBR 14653-2 menciona alguns aspectos relevantes nessa análise:

Aspectos gerais: Avaliação das condições econômicas, políticas e sociais que possam influenciar o mercado local.

Aspectos físicos: Examinar as condições do terreno, fatores ambientais e a posição do imóvel no contexto urbano, considerando áreas de maior desenvolvimento ou menor índice de valorização.

Uso e ocupação do solo: Comparar a ocupação atual com as legislações municipais sobre zoneamento e uso do solo, permitindo concluir sobre as tendências de modificação a curto e médio prazos.

Infraestrutura urbana: Avaliar o sistema viário, transporte coletivo, coleta de resíduos sólidos, e abastecimento de água potável. Além disso, deve avaliar a distribuição de energia elétrica, telefonia e rede elétrica, entre outros serviços essenciais.

Atividades existentes: Considerar o comércio, a indústria e os serviços disponíveis na região.

Equipamentos comunitários: Analisar a presença de serviços de segurança, educação, saúde, cultura e opções de lazer.

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Tipos de serviço na Engenharia

Fonte: Freepik

Detalhes do terreno

A caracterização do terreno é uma etapa fundamental na avaliação imobiliária. O avaliador deve atentar para diversos aspectos, como:

Localização: Analisar a posição do terreno na região e em relação à via pública, identificando limites e confrontações de acordo com o projeto de implantação e as leis municipais.

Dimensões do terreno: Medir com precisão as medidas do imóvel para uma avaliação correta.

Topografia: Verificar se o terreno é plano ou inclinado, pois essa característica pode influenciar o uso e a valorização.

Infraestrutura disponível: Avaliar os serviços e a infraestrutura ao redor, como acesso a estradas, transporte público e serviços essenciais.

Além disso, é essencial verificar possíveis restrições legais ou físicas que possam limitar o uso do terreno. Isso inclui áreas protegidas ou zonas que exigem aprovações especiais para construção, como aquelas onde árvores não podem ser cortadas.

Outro ponto importante a ser analisado é a conformidade do terreno com as legislações locais, pois qualquer irregularidade pode impactar significativamente o valor de venda ou locação, tornando essa verificação crucial para uma avaliação precisa.

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Vistorias

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Características das benfeitorias e construções

A avaliação das edificações existentes no terreno é, de fato, uma parte crucial do processo de avaliação imobiliária. Aqui estão alguns aspectos importantes a serem considerados:

Qualidade da construção: O avaliador deve observar se os materiais utilizados são de boa qualidade e se a estrutura é segura e funcional. Isso inclui verificar a fundação e as paredes, bem como o telhado e outros elementos estruturais.

Aspectos estéticos e de conforto: A estética do imóvel e o conforto que ele oferece aos usuários também são levados em conta. Um prédio bem projetado, que respeita princípios de sustentabilidade e proporciona um ambiente agradável, pode sofrer uma valorização significante.

Adequação do imóvel à região: É importante que a construção esteja alinhada com os padrões da área. Por exemplo, uma edificação moderna pode não ser valorizada em um bairro com características mais tradicionais ou rústicas.

Sinais de desgaste: O avaliador deve estar atento a sinais de degradação, como rachaduras, infiltrações, problemas elétricos ou hidráulicos, bem como outras questões que possam exigir reparos. Esses problemas podem não apenas diminuir o valor do imóvel, mas também impactar a segurança e o conforto dos ocupantes.

Esses aspectos são essenciais para garantir uma avaliação completa e precisa do imóvel, refletindo seu verdadeiro valor no mercado.

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A avaliação de vários imóveis

Em avaliações de imóveis que possuem várias unidades idênticas, como apartamentos ou salas comerciais em um mesmo edifício, a vistoria pode ser realizada por meio de amostragem. Isso significa que o avaliador não precisa visitar todas as unidades, mas sim uma quantidade selecionada, definida pelas partes envolvidas ou pelo próprio avaliador.

Esse método traz várias vantagens como, por exemplo:

Eficiência: A vistoria completa de todas as unidades pode ser um processo longo e custoso. A amostragem permite ao avaliador obter informações representativas de forma mais ágil, sem comprometer a qualidade da avaliação.

Critérios de seleção: A quantidade de unidades a serem vistoriadas deve considerar a homogeneidade das construções e possíveis diferenças no estado de conservação. O avaliador pode escolher unidades em diferentes andares ou orientações para garantir uma amostra diversificada.

Representatividade: É crucial que a amostra selecionada represente adequadamente o total de unidades disponíveis. Isso assegura que as condições observadas possam ser extrapoladas para o restante do edifício, refletindo a realidade do imóvel como um todo.

Documentação rigorosa: O avaliador deve registrar cuidadosamente as condições das unidades vistoriadas, incluindo detalhes sobre acabamentos, e manutenção bem como eventuais problemas encontrados. Essa documentação é essencial para fundamentar a avaliação e garantir transparência no processo.

A abordagem por amostragem não só otimiza o tempo e os recursos envolvidos na avaliação, mas também mantém a precisão necessária para determinar o valor justo do imóvel.

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NBR

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Mas e quando não é possível fazer a vistoria?

Em algumas situações, pode ocorrer que o avaliador não tenha acesso ao interior do imóvel. Nesses casos, é fundamental  justificar a razão desse impedimento no laudo de avaliação, pois, mesmo sem a vistoria interna, a avaliação pode prosseguir com base nas informações disponíveis fornecidas pelo contratante.

Essas informações podem incluir:

Descrição interna detalhada: Para apartamentos, escritórios, conjuntos habitacionais ou unidades isoladas, o contratante deve fornecer uma descrição minuciosa das características internas do imóvel. Isso pode abranger detalhes sobre a disposição dos cômodos, acabamentos e estado de conservação bem como quaisquer melhorias realizadas.

Plantas baixas e Relatório fotográfico: Sempre que possível, é útil incluir plantas baixas e fotografias do interior do imóvel. Esses elementos visuais ajudam a complementar a descrição e oferecem uma melhor compreensão das condições internas.

Informações sobre uso e ocupação: Dados sobre como o imóvel está sendo utilizado ou se está ocupado por inquilinos também são relevantes, pois essas informações podem influenciar diretamente na avaliação de mercado.

Comparação com unidades similares: O avaliador pode considerar dados de vendas ou aluguéis de unidades semelhantes na mesma localização para embasar sua análise, mesmo sem ter feito uma vistoria interna.

Ao documentar essas circunstâncias no laudo, o avaliador demonstra transparência no processo e garante que as conclusões sejam fundamentadas nas melhores informações disponíveis.

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NBR

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Identificação das variáveis

Variável dependente

Na avaliação de imóveis, a variável dependente refere-se às formas de expressão de valores no mercado. Isso inclui aspectos como:

Preço total ou unitário: O avaliador deve analisar se o valor é apresentado como um montante total ou por metro quadrado, o que pode influenciar a percepção do valor do imóvel.

Formas de pagamento: As condições de pagamento, como financiamento, pagamento à vista ou parcelamento, também podem afetar o valor percebido.

Unidades de medidas: É essencial observar as unidades utilizadas para descrever as características do imóvel, pois isso impacta diretamente a comparação com outros imóveis.

Variáveis independentes

As variáveis independentes são aquelas que influenciam a variável dependente e podem ser categorizadas em três grupos principais:

Características físicas: Incluem aspectos como área total do imóvel, testada (largura da frente do lote), e número de cômodos, bem como estado de conservação.

Características de localização: Envolvem fatores como o bairro, o logradouro, a acessibilidade e a distância do centro da cidade. A localização é um dos principais determinantes do valor imobiliário.

Características econômicas: Referem-se à oferta e transação no mercado, como a época em que a negociação ocorre e as condições específicas do negócio (por exemplo, se é uma venda forçada ou uma transação normal).

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Levantamento e análise de dados

O avaliador deve buscar uma amostra representativa do mercado para entender o comportamento dos preços de maneira precisa. Nesta etapa, o processo envolve alguns passos como, por exemplo:

1. Investigação do mercado: O avaliador coleta dados sobre negociações realizadas e ofertas disponíveis, registrando as principais características econômicas, físicas e de localização dos imóveis analisados.

2. Coleta de informações confiáveis: É fundamental que os dados sejam obtidos de fontes confiáveis. O avaliador deve priorizar informações atualizadas e relevantes.

3. Verificação das informações: O avaliador deve realizar visitas aos imóveis quando possível e confrontar as informações coletadas com as partes envolvidas no processo. Essa verificação é crucial para garantir a precisão e a integridade da avaliação.

Tratamento de dados

Preliminares

Nesta etapa, são apresentados os resultados de forma organizada, utilizando tabelas e gráficos. Esses recursos visam facilitar a compreensão das distribuições de frequência para cada uma das variáveis analisadas, permitindo a análise de:

– Influência das variáveis: Avaliar como diferentes características do imóvel e fatores de mercado impactam os preços.

– Variação dos preços: Estabelecer a relação entre os preços dos imóveis e suas variações, permitindo identificar tendências e padrões no mercado.

Esse tratamento inicial dos dados é crucial para embasar as conclusões que serão tiradas nas etapas seguintes da avaliação.

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Fatores

Os dados utilizados devem ser representativos do mercado e incluir características que se aproximem ao máximo do imóvel avaliado. É importante justificar a escolha desses dados sob um ponto de vista tanto teórico quanto prático. Isso significa que:

– Justificativas teóricas: As escolhas devem ser embasadas em teorias de avaliação imobiliária, que explicam como diferentes fatores influenciam o valor dos imóveis.

– Justificativas práticas: A aplicação real desses conceitos deve ser demonstrada através da análise de dados coletados no mercado, garantindo que as informações sejam relevantes, bem como aplicáveis.

Além disso, a inclusão de validações quando pertinente é essencial para garantir a robustez da análise. Isso pode envolver comparações com vendas recentes ou avaliações de imóveis similares na mesma região.

Científico

O tratamento de dados deve estar intimamente relacionado ao comportamento do mercado imobiliário e à formação de valores. Para isso, é importante ter:

– Pressupostos claros: Todos os pressupostos utilizados na análise devem ser devidamente explicitados. Isso inclui suposições sobre o comportamento do mercado e a influência de variáveis específicas, bem como as condições econômicas gerais.

– Testes rigorosos: Os pressupostos devem ser testados para garantir sua validade. Isso pode incluir análises estatísticas que verifiquem a correlação entre variáveis e sua capacidade preditiva em relação aos preços dos imóveis.

Essa abordagem científica não apenas fortalece a credibilidade da avaliação, mas também proporciona uma base sólida para a tomada de decisões informadas tanto por compradores quanto por vendedores.

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Sobre nós

A profissional é graduada em Engenharia Civil pela renomada Fundação Assis Gurgacz (FAG) de Cascavel e possui pós-graduação pela Universidade Paulista (UNIP) / INBEC, localizada em Foz do Iguaçu, o que lhe confere o título de Especialista em avaliações e perícias de engenharia.

Com mais de 5 anos de experiência na área, a Engenheira já atendeu mais de 60 cidades em 3 estados brasileiros, totalizando mais de 300 serviços prestados. Além disso, ofereceu inúmeras consultorias para credenciamentos em bancos, participação em licitações, e realizou serviços de correção de laudos.

Sempre em busca de aprimoramento, a profissional dedica-se a estudos e treinamentos constantes para aprimorar suas técnicas e oferecer um atendimento personalizado e exclusivo aos seus clientes.

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